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Othon Luiz Pinheiro da Silva sab, 15/07/2017 - 12:06 Do Zero Hora http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2017/06/de-pai...

sábado, 15 de julho de 2017


Especialistas analisam o cenário pós-condenação de Lula


Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
 
Por Valério Paiva
 
Analistas projetam possíveis efeitos da sentença de Sérgio Moro
 
Do Jornal da Unicamp
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado, em primeira instância, a nove anos e seis meses de prisão em um dos processos que responde na 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. De acordo com a sentença do juiz Sérgio Moro, Lula recebeu propina de 3,7 milhões de reais da construtora OAS. Ele responderá em liberdade enquanto recorre em instância superior – Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre.
Jornal da Unicamp ouviu seis analistas que avaliam os efeitos que a condenação de Lula poderá ter na cena política brasileira, bem como a legitimidade da decisão da Justiça Federal do Paraná.
André Kaysel Velasco e Cruz (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp)
Foto: Reprodução
O impacto que a condenação pode vir a ter é muito grande. Acho sintomático inclusive que ela tenha sido anunciada no dia seguinte à votação da reforma trabalhista no Senado. Pensando em ações anteriores do grupo da Lava Jato, que costuma ser muito cioso do timing político, não me parece ser uma simples coincidência. Embora não tenha havido muita capacidade de resistência a essas reformas, o grupo que hoje está no poder e seus aliados no Judiciário sabem que essas reformas são impopulares.
Ademais, as pesquisas mostram que Lula vinha crescendo na preferência popular. Não me parece, portanto, que o cronograma da condenação tenha sido casual.
É sempre bom lembrar, porém, que é uma condenação em primeira instância e que ainda precisa ser confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região [TRF-4], que vem dando sinais contraditórios. No ano passado, por exemplo, tomou uma decisão que avalizava os procedimentos da Lava Jato em termos legais, mas recentemente absolveu João Vaccari Neto em uma das ações em que ele está envolvido. Não dá para saber o que vai acontecer.
Agora, se a condenação for confirmada em tempo hábil no âmbito do calendário eleitoral, sai da disputa quem é hoje o candidato com maior intenção de voto, o que tira da eleição uma força política muito importante. O impacto, sem dúvida, será muito grande. Há muitos potenciais desdobramentos no horizonte.
Outro ponto que se discute é a legalidade mais do que questionável da condenação, que é muito frágil e carece de provas. O contraste dela com a absolvição de Aécio Neves, no Senado, por seus pares, num caso distinto, já que as provas são um tanto mais contundentes, expõe cada vez mais o viés não apenas partidário, mas também de classes das instituições brasileiras. Isto tende a desacreditá-las, e aqui falo também do Judiciário. O Judiciário nunca foi uma instância politicamente neutra, mas quando ele tira o véu de imparcialidade, esse poder se expõe, fragilizando sua legitimidade, sua própria razão de ser.
Por outro lado, do ponto de vista de Lula, tornou-se premente a necessidade de ele se defender. Trata-se não apenas de uma defesa jurídica, mas também política, que envolve a disputa em torno do seu legado e a possibilidade de voltar ao poder. Lula terá de tomar uma posição inclusive mais clara em relação ao que vem sendo implantando pelo atual governo desde o golpe do ano passado.

Carlos Pereira (Fundação Getúlio Vargas-FGV)
Foto: Reprodução
Primeiramente, gostaria de destacar o aspecto histórico, inusitado, que é ter um presidente da República condenado por crime corrupção. Isto mostra a independência e a capacidade organizacional, técnica e profissional das organizações de controle no Brasil. Essas organizações se tornaram independentes, fugindo do controle dos políticos. Trata-se de um aspecto a ser destacado. São poucas as democracias no mundo em que as instituições de controle conquistaram autonomia – e isto ocorreu no Brasil. O resultado é revelador de uma capacidade muito grande de impor limites aos políticos.
Com relação à decisão da primeira instância, entendo que o processo transcorrerá dentro da normalidade e dos preceitos democráticos. Não acredito que vai vingar esse discurso do ex-presidente Lula de se fazer de vítima e atribuir a condenação a uma decisão política. Acredito que esse discurso e o grau de mobilização, do entorno de Lula, serão bastante esvaziados no decorrer do tempo. Antevejo que a sociedade, diante da quantidade de evidências do envolvimento do ex-presidente em atos de corrupção, não irá para as ruas em sua defesa. Apenas os mais engajados e os mais dependentes da estrutura partidária tenderão a se mobilizar.
Quanto à estrutura partidária, tenho muito receio de que o PT se desagregue. Seria muito ruim para o Brasil e para a América Latina, uma vez que o Partido dos Trabalhadores é muito importante para a democracia e para a política brasileira. Trata-se de uma referência de esquerda viável eleitoralmente.
Caso a decisão seja confirmada pela segunda instância, é bem possível que o PT se desagregue. Imagino que serão dois os caminhos a seguir pelo partido caso isso aconteça. O primeiro seria o da refundação, de reestruturação, de livrar-se do peso de Lula e buscar outras referências e novas agendas. Ou pode acontecer também um esvaziamento, por meio do qual as principais lideranças migrem para outras siglas ou mesmo criem uma nova agremiação de esquerda, fazendo com que o PT definhe e vire um partido médio ou pequeno.
Quanto ao cenário político, não acredito que a condenação de Lula tenha reflexos. A oposição é hoje minoritária no Congresso, e a coalizão dominante, que apoia as reformas, é majoritária. Então, a despeito de quem seja o presidente da Câmara ou da República, se Temer ou Maia, não acredito que a agenda de reformas vai arrefecer. Acho que as reformas são consistentes, têm o apoio da sociedade e buscam uma inclusão social responsável, o que foi negligenciado pelos governos do PT.

José Arthur Gianotti (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento - Cebrap)
Foto: Reprodução
O Lula foi um daqueles pegos pela operação Lava Jato. Ele foi sentenciado em um documento de 300 páginas que, me parece, é muito bem feito. Vamos ver se as outras instâncias vão confirmar ou não. Do ponto de vista político, como era previsto, ele se faz de vítima. Disse ontem que apenas o povo brasileiro pode lhe tirar do poder. Ocorre que estamos num Estado de Direito, e todos estamos submetidos à lei. Se for comprovado o crime, por este mesmo Estado de Direito, o condenado deve pagar por ele, seja quem for.
Em caso de condenação, não projeto nada, não sei o que está acontecendo no Brasil. A crise é muito grande. Bem maior, por exemplo, que a de 1964. Não sei o que vai sobrar do sistema político. Nós fomos governados por sistemas corruptos ao longo dos últimos anos – a corrupção era intrínseca ao sistema. Isto causou uma reação, tanto política como jurídica. Nós estamos em plena luta entre essa reação, na qual tem loucos dos dois lados, e que tem corruptos de um lado só.
O que pode sair desse embate? Não sei ao certo. Podemos ter uma volta ao populismo totalmente desbragado ou um passo novo para a democracia. Não há nada decidido. Se voltar o populismo, nós regredimos ao governo anterior. Se tivermos um governo democrático, vamos sair da crise, mas não está garantido que iremos sair do século 20.
O Brasil está extremamente atrasado no campo da geração de riquezas. Seja de que lado for, de esquerda ou direita, é preciso distribuir riqueza e, hoje, a única que produzimos é oriunda do agronegócio. Não dá para manter o Brasil nessas condições.
Tenho medo de que o Brasil não saia do século 20. O capitalismo está passando por uma enorme transformação. Os partidos estão sendo reformulados nos Estados Unidos, na Europa, no mundo todo. O resultado é um enorme desenvolvimento tecnológico. O Brasil está tendo isso? Qual é a nossa chance de sairmos do século 20? Esse é o grande problema.

Pablo Ortellado (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP)
Foto: IEA|USP
Em primeiro lugar, acho que a decisão não é nada surpreendente. Todos que acompanham os desdobramentos desse processo, desde o seu início, sabem que o resultado já era esperado. Em segundo lugar, acho que a condenação reforça a divisão política no país. Nem tanto no campo institucional, uma vez que, a despeito dos antagonismos entre o grupo do PT e o grupo do PSDB e DEM, esse sistema sabe se recompor.
O que está polarizado, dividido de uma maneira irreconciliável, é a sociedade civil brasileira. Essa condenação reforça o entendimento, dos dois lados do espectro político, do que está acontecendo com o país. Um lado vai dizer que a sentença é a confirmação de que Lula era o chefe da quadrilha; o outro lado vai alegar que ele está sofrendo perseguição política, motivada por uma tentativa de reversão dos ganhos sociais conquistados ao longo de seus mandatos.
Do ponto de vista da organização política da sociedade brasileira, portanto, essa condenação acentua e aprofunda a polarização política em curso. 

Valeriano Mendes Ferreira Costa (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp)
Foto: Antoninho Perri
O próprio fato de um cientista político ser consultado pela imprensa, em razão da condenação de Lula, já mostra que a decisão tem um grau de contaminação política muito grande, independentemente do seu caráter técnico. Seu conteúdo político é incontornável, ela não está fundamentada exclusivamente no contexto jurídico.
Essa condenação, caso confirmada em segunda instância, terá impactos políticos muito fortes, a começar da desorganização da corrida eleitoral para 2018, além de aumentar a polarização de vários segmentos da política e da sociedade civil. No que diz respeito à eleição, pode haver uma perda de referência, pois Lula seria o candidato contra o qual todos os demais candidatos se voltariam. Sem ele no páreo, os candidatos sairão atirando a esmo.
Outra questão diz respeito ao clima político. Não há dúvida de que haverá uma radicalização nas posições. Por incrível que pareça e a despeito de tudo noticiado frequentemente, Lula é a personagem mais moderada nesse processo. Juntamente com Fernando Henrique Cardoso, é quem mais tem capacidade de articulação. Ambos cumpriram um papel muito importante nos últimos 30 anos. São figuras centrais no desenvolvimento e no fortalecimento da democracia brasileira. Sem Lula, sem a presença dessa figura moderadora, é quase certo que os ânimos vão se acirrar, sobretudo entre a esquerda e a direita.
Esse cenário é muito ruim. Tivemos, no passado, inúmeros exemplos em que essa polarização levou à destruição da democracia, ao fechamento político. Não descarto, por exemplo, a adoção de um sistema eleitoral mais controlável, com a implantação do parlamentarismo. Tudo pode acontecer.  

Walquiria Leão Rego (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp)
Foto: Antoninho Perri
A condenação faz parte do golpe parlamentar, jurídico e midiático desferido contra a democracia brasileira no ano passado. Criminalizar a esquerda é uma velha tática adotada historicamente pela direita. Foi assim desde sempre. Há inúmeras experiências que poderiam ser aqui elencadas, de Getúlio Vargas a João Goulart. Basta se informar um pouco, ler sobre a história política brasileira, para entender esses processos. Essa tem sido nossa triste história. 
Acompanho o processo contra Lula como qualquer cidadã. Procuro me informar, do ponto de vista jurídico, lendo textos e artigos, conheço o ex-presidente, sei que ele é incapaz de corrupção, todo mundo sabe que aquele tríplex não é dele – inclusive a força tarefa de Curitiba. Ocorre que eles prometeram a cabeça do presidente Lula e a destruição do PT. Não só para a direita brasileira, mas também para representantes das conexões internacionais. Trata-se de um golpe bem urdido.
A principal razão é tirar o Lula das eleições de 2018. Sabemos que isso está no programa deles desde sempre. Já tinham tentando esse golpe em 2002, fazendo uma campanha terrorista cujo tema era que, caso eleito Lula, o Brasil ia afundar; voltaram a fazer em 2005, com a farsa absoluta do mensalão, e assim foi. Como disse, faz parte de criminalizar a esquerda e tirá-la da disputa eleitoral. Portanto, é um golpe contra a democracia.




Geddel era o "carainho" interessado na delação de Funaro, diz MPF após prisão

Foto: Agência Brasil
Jornal GGN - O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso na Bahia, nesta segunda (3), no âmbito da operação Cui Bono, em que membros do PMDB e seus operadores são investigados por corrupção na Caixa Econômica Federal. A prisão preventiva foi cumprida pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público, que acusa Geddel de obstrução de Justiça. 
Segundo os procuradores, Geddel era o "carainho" na agenda telefônica de Lúcio Funaro, que teria entrado em contato com a esposa do doleiro para saber se existia algum acordo de delação premiada em negociação.
Funaro está preso em Curitiba e foi acusado pela JBS de receber propina nos últimos meses, a mando do grupo de Temer. O objetivo era evitar a delação premiada do doleiro. Joesley Batista também delatou pagamentos a Eduardo Cunha.
O doleiro, segundo nota do MP, teria colaborado entregando as mensagens em que Geddel pergunta sobre delação.
Abaixo, a nota do MPF completa:
Em cumprimento a uma ordem judicial que atendeu a pedido da Polícia Federal e da força-tarefa Greenfield – que também é responsável pelas operações Sépsis e Cui Bono - , foi preso, nesta segunda-feira (3), o ex-ministro Geddel Vieira Lima. A prisão é de caráter preventivo e tem como fundamento elementos reunidos a partir de informações fornecidas em depoimentos recentes do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva - sendo os dois últimos em acordo de colaboração premiada. No pedido enviado à Justiça, os autores afirmaram que o político tem agido para atrapalhar as investigações. O objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF). Para isso, tem atuado no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de “monitorar” o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo.
Na petição apresentada à Justiça, foram citadas mensagens enviadas recentemente (entre os meses de maio e junho) por Geddel à esposa de Lúcio Funaro. Para provar tanto a existência desses contatos quanto a afirmação de que a iniciativa partiu do político, Funaro entregou à polícia cópias de diversas telas do aplicativo. Nas mensagens, o ex-ministro, identificado pelo codinome “carainho”, sonda a mulher do doleiro sobre a disposição dele em se tornar um colaborador do MPF. Para os investigadores, os novos elementos deixam claro que Geddel continua agindo para obstruir a apuração dos crimes e ainda reforçam o perfil de alguém que reitera na prática criminosa. Por isso eles pediram a prisão “como medida cautelar de proteção da ordem pública e da ordem econômica contra novos crimes em série que possam ser executados pelo investigado”.
Detidos - Com a prisão de Geddel, passam a ser cinco os presos preventivos no âmbito das investigações da Operação Sépsis Cui Bono. Já estão detidos os ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro e André Luiz de Souza, todos apontados como integrantes da organização criminosa que agiu dentro da Caixa Econômica Federal (CEF). No caso de Cunha, Alves e Funaro, já existe uma ação penal em andamento. Os três são réus no processo que apurou o pagamento de propina em decorrência da liberação de recursos do FI-FGTS para a construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Além deles, respondem à ação Alexandre Margoto e Fábio Cleto.

Investigações - Geddel Vieira Lima é um dos investigados na Operação Cui Bono. Deflagrada em 13 de janeiro, a frente investigativa tem o propósito de apurar irregularidades cometidas na Vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, durante o período em que foi comandada pelo político baiano. A investigação teve origem na análise de conversas registradas em um aparelho de telefone celular apreendido na casa do então deputado Eduardo Cunha.
O teor das mensagens indicam que Cunha e Geddel atuavam para garantir a liberação de recursos por vários setores da CEF a empresas, que, após o recebimento, pagavam vantagens indevidas aos dois e a outros integrantes do esquema, entre eles Fábio Cleto. Cleto, que ocupou por indicação de Eduardo Cunha a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, foi quem forneceu as primeiras informações aos investigadores. Em meados do ano passado, ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR).
Em conversas datadas de 2012, por exemplo, os envolvidos revelam detalhes de como agiram para viabilizar a liberação de recursos para sete empresas e um partido político. Entre os beneficiados do esquema ilícito aparecem companhias controladas pela holding J&F, cujos acionistas firmaram recentemente acordo com o MPF. O aprofundamento dos indícios descobertos com a análise do conteúdo armazenado no aparelho telefônico apreendido permitiu aos investigadores constatarem intensa e efetiva participação de Geddel Vieira Lima no esquema criminoso. Além da prisão preventiva, a Justiça acatou os pedidos de quebra de sigilos fiscal, postal, bancário e telemático do ex-ministro. 



2016 - 08 de julho - Delação de Funaro pode atingir 200 parlamentares





Delação de Funaro pode atingir 200 parlamentares

Jornal do Brasil
O corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso pela Operação Lava Jato no dia 1º de julho, está negociando sua delação premiada. De acordo com o colunista Lauro Jardim, Funaro teria prometido entregar nada menos que 200 parlamentares.
Funaro é apontado como operador do deputado afastado Eduardo Cunha. Ele foi preso pela Polícia Federal, acusado de supostamente coordenar, ao lado de Cunha, um esquema de propina nos contratos do fundo de investimentos do FGTS, na Caixa.
No pedido de prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que Funaro é um “personagem antigo dos noticiários policiais nacionais, envolvido em grandes escândalos de corrupção do Brasil nos últimos tempos”. Janot afirmou, ainda, que “a proximidade” entre o operador e Cunha “é antiga e muito mais do que afirmam publicamente”. “Embora digam que apenas se conhecem, verificou-se um estreito e pernicioso relacionamento entre ambos”.
Lúcio Funaro



Funaro é transferido para preparar delação

Operador de propinas de Cunha deverá citar ex-ministros de Temer e o próprio presidente
Agência Estado
 
Funaro (foto) será mais um dos delatores da Lava JatoLula Marques/Folhapress - 28.4.2010
O corretor Lúcio Funaro foi transferido na quarta-feira (5) do Complexo Penitenciário da Papuda para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A mudança foi solicitada pelo advogado Antonio Figueiredo Basto e visa a facilitar a produção dos anexos da delação premiada que Funaro está negociando com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Os principais alvos do acordo são o presidente Michel Temer, os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além do deputado cassado Eduardo Cunha, todos do PMDB. Outro alvo será o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).
Desde a revelação do acordo de colaboração dos executivos da JBS, na qual Funaro foi apontado pelo empresário Joesley Batista como operador financeiro do PMDB da Câmara, grupo político de Temer, o corretor voltou a negociar uma delação. Antes, havia interrompido as conversas com os investigadores por causa dos pagamentos que recebia do Grupo J&F.
Nas últimas três semanas, enquanto participava das audiências do processo da Operação Sépsis, na Justiça Federal de Brasília, Funaro vinha escrevendo em um computador e em um caderno espiral os resumos do que entregará no acordo. Além de detalhar sua atuação para o PMDB da Câmara, o futuro delator deverá explicar sua relação com o presidente.
Funaro pretende confirmar ter recebido valores de Joesley para não fazer um acordo e evitar problemas para Temer e seu grupo político. Seus depoimentos devem ser usados na denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara contra Temer pelo crime de obstrução da Justiça.
Reunião
Há duas semanas, após uma das audiência da Sépsis, Funaro chegou a se reunir por cerca de 30 minutos com o procurador Anselmo Cordeiro Lopes em uma sala reservada onde discutiu os principais temas que delatará. Anselmo é o procurador das Operações Sépsis e Greenfield.
Já na semana passada, depois de mais uma audiência, o advogado Figueiredo Basto chegou ao prédio da Justiça e informou Funaro de que o juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Criminal, havia autorizada a transferência para a carceragem.
Temer, Geddel e Henrique Alves negam envolvimento em irregularidades.




Cunha entrega à PGR anexos de proposta de delação premiada

Ex-deputado do PMDB agora aguarda um posicionamento do grupo de trabalho da Lava-Jato

Por: Zero Hora
14/07/2017 - 09h31min | Atualizada em 14/07/2017 - 09h36min
Cunha prestou depoimento no dia 14 de junho à Polícia Federal bo inquérito que investiga TemerFoto: JONATHAN CAMPOS / AGÊNCIA DE NOTÍCIAS GAZETA DO POVO/ESTADÃO CONTEÚDO 
Preso desde outubro do ano passado em Curitiba, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entregou os anexos de sua proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo o Valor Econômico. O peemedebista, agora, aguarda um posicionamento do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR. 
As delações de Cunha e seu ex-sócio Lúcio Funaro têm relação com a segunda denúncia que a Procuradoria apresentará contra o presidente Michel Temer, suspeito de ter obstruído investigações ao ter dado sua anuência pessoal à compra do silêncio de Cunha e Funaro.
Cunha e seu ex-sócio Lúcio Funaro negociam acordo de delação. No entanto, segundo o Valor, apenas um dos dois poderá se tornar colaborador da Justiça. A delação mais adiantada seria a de Cunha, mas o histórico do processo de negociação do acordo — o ex-deputado demorou a sinalizar positivamente que iria falar o que sabe — e o estágio avançado da Lava-Jato são considerados empecilhos. 
Segundo o jornal Folha de S.Paulo divulgou na semana passada, Cunha teria escrito mais de cem anexos para a colaboração. O conteúdo deve envolver diretamente Temer, mas também os ministros da Secretaria Geral, Moreira Franco, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o senador Romero Jucá. 
Na comparação com Cunha, a avaliação é de que delação de Funaro teria mais provas concretas. Pesa contra ele relatos de ser violento, com pelo menos dois casos registrados de ameaças de morte a pessoas próximas, mas também de voltar atrás do que diz. O doleiro teria sinalizado a intenção de denunciar certos fatos e pessoas, mas logo em seguida, recua. Ainda assim, Funaro seria o "favorito" para firmar o acordo de colaboração.